quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

GPS

-Fecha o vidro, chegamos a São Paulo. São Paulo. São Paulo. Está sem trânsito e tudo passa muito rápido. São Paulo. As lojas são gigantescas, as vezes são as mesmas daqui, mas não posso compará-las: escalas completamente diferentes. Passa o ônibus. Funcionários que passaram o dia todo quase se perdendo em meio a tantos metros quadrados de loja, agora lutam por um pequeno espaço no coletivo. Irônico, não? São Paulo. Sinal Vermelho. Muros pixados. Concentro-me em ler alguma coisa. Não decifro absolutamente nada. Juro, tentei. Um grupo afro passa cantando. Coisa de São Paulo. Um mendigo dorme, outro mexe no lixo, sinal verde.
“Plim, prepare-se para manter a direita a 300 metros para a Avenida Santos Dumont.”
São Paulo.
(...)
Já podemos abrir o vidro, estamos em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. Prédios e árvores decoradas com luzes natalinas enfeitam as ruas. Alguns passeiam com seus cachorros calmamente. Passam universitários, belas universitárias! São Paulo. Chegamos a Consolação, pertinho da Sabará... E nos perdemos.
“Plim, novo cálculo da rota. Prepare-se para fazer uma curva leve a esquerda e 270metros para a rua ____.
Fecha o vidro de novo. São Paulo. Começa a chover, perde o sinal da rádio e o GPS: “Plim, novo cálculo da rota...”
Ótimo, passo pelo meio de uma feira sendo desmontada. Tensão total onde ninguém arrisca uma só palavra dentro do carro.
(...)
“Plim, você alcançou o seu destino”
São Paulo. São Paulo é isso: é o contraste, a repetição, o novo junto do diferente. Pode ser uma cidade maravilhosa ou horrorosa, tudo dependendo de uma rua. Uma rua apenas! Num bairro, podemos tranquilamente sair para jantar as 19h 30min da noite a pé e voltar as 22h passeando e na via de baixo já não posso andar com a mesma tranqüilidade as 10h 30min da manhã! Porque? Porque estamos em São Paulo capital. E as coisas são assim em São Paulo. São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo

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