quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lágrima que não vem

Chorar faz bem.  Nunca segure uma lágrima que for.
Chorar. Existem vários tipos de choro: os de tristeza, de raiva, de alegria... De emoção!
As mulheres em geral, não são o ‘sexo frágil’ como dizem, pelo contrário, somos muito fortes. Em dias como hoje, contradizendo o começo do texto, eu segurei por várias vezes o choro. E para isso, é necessária muita força.
E agora, sozinha em meu quarto, as lágrimas simplesmente não escorrem.
Todos os sintomas ‘pré-choro’ estão presentes: a dor funda no peito, como se alguém tivesse colocado-o em uma caixa menor que o seu tamanho, enfiasse e tirasse vagarosamente uma faca de lá; o nó seco na garganta; as mãos trêmulas; voz falha; cabeça longe e a visão embaçada pela água.
Assim passei o dia todo. Chorando sem lágrimas. O porquê? Não sei. As mulheres têm dias assim, mas sensíveis. Frágeis? Não. Apenas sensíveis, carentes.
E são nesses dias em que precisamos de mais força, para continuar, continuar sem que ninguém perceba. Pois se perceber, eu me entregarei. Quando estou no estado ‘ pré – choro’ as palavras ‘aconteceu alguma coisa?’ ou ‘está tudo bem?’ São decifradas em meu corpo como um comando involuntário de ‘chore’.
Só porque nesse momento, provavelmente teria pessoas a minha volta e eu sinceramente não queria chorar.
E agora, sozinha em meu quarto eu quero as lágrimas! Afinal, já estou chorando, só que sem elas...
Sabe a parte boa de chorar de noite? Você chora, chora, chora à vontade até molhar o travesseiro e perder o fôlego. Depois começa o ‘pós choro’ e os soluços que não param até você dormir. E no dia seguinte, você está se sentindo bem novamente. Incrível, não?
Finalmente as lágrimas caem, correm sobre meu rosto e eu posso sentir minha boca salgada. Ah! Como é bom chorar...! Todo o ‘pré choro’ acaba. Sinto apenas o silêncio e as lágrimas. Fecho os olhos bem devagar e curto o momento. Por um segundo tudo parecer parar, o coração, o barulho, as mãos tremulas... só vejo a escuridão dos meus olhos fechados e sinto as lágrimas correndo, uma por uma. Para mim, essa é a melhor parte do choro.
O melhor do pior. Esse é também o melhor e o mais sincero choro – o silencioso, aquele que vem sem ser convidado, sem avisar que está chegando. Simplesmente toca o seu coração e quando se dá conta, está chorando.
Nunca segure uma lágrima que for.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Jardim de infância

A mais pura e verdadeira beleza está na terceira idade. Esse é um grupo de pessoas muito especiais, com altíssimo nível de conhecimento e coração bom. Já viveram tanta coisa! Esse meu texto será dedicado a principalmente duas pessoas: minha bisavó Severina de 97 anos e meu avô Dito de 76 anos. E todos os outros desse grupo, claro!
Acho a coisa mais mágica do mundo uma pessoa que depois de tantos anos de vida, volta a ser criança! Precisa de cuidados, carinhos... Redescobre a vida vivendo por viver, sem grandes objetivos, apenas esperando o próximo dia chegar. Falando assim até parece ruim, mas não é. Afinal, o que há de errado em viver simplesmente pelo prazer de viver, de cheirar uma flor, de acompanhar uma borboleta voando¿
A beleza da terceira idade está no fato de apesar de já terem passado pela infância, adolescência e juventude, aprendendo assim tudo o que a vida poderia lhes ensinar, voltam a serem crianças. Passaram por todas as fazes da vida e acabam na melhor delas. Realmente temos muito que aprender com eles!
Meu avô Dito, hoje tem muitas doenças, mas qualquer um, repito, qualquer um que esteja em sua volta receberá uma história, uma piada, um sorriso. Qualquer um que o visite depois do almoço será recebido com um abraço carinhoso e o melhor café do mundo! (apesar das mãos, que agora tremem) Ele te contará a história de sua vida e cada aventura que passou para não perdê-la. Contará com orgulho como conquistou minha avó e criou os filhos, netos e agora um bisneto. Enche a boca para dizer que estudou, esteve presente na 1ª comunhão, formou e casou todos os filhos e espera morrer só depois que fizer o mesmo com todos os netos. Família grande essa! E mesmo assim ele tornou quase todos Palmeirenses... Esse vó Dito!
A minha bisa Severina já é mais velha e tem mais dificuldades também – já não enxerga bem, não escuta quase nada, faz tudo a seu ritmo mas não nega uma festinha e acha ruim quando queremos levá-la embora. Tem dias em que ela se senta na sala e começa a bater palmas cantando músicas que ninguém nunca ouviu. Eu a visito duas vezes por ano – muito pouco, eu sei. Quando chego, nunca se lembra de mim. ‘Quem é¿’  Explico toda a história... ‘É a Luíza vó, filha da Sarinha, sua neta, lembra¿ A Sarinha do Quito¿ ‘ E aí pronto, as histórias começam e não param mais, algumas, já decorei, não ligo. Dessas histórias, tem uma em especial que ela nunca me contou, foi a minha tia avó que passou a história para toda a família.
Uma manhã, minha bisa acordou sorridente. Ela então perguntou o porquê. A resposta:
- Hoje, quando eu acordei, eu vi o seu pai e sua irmã (ambos mortos) no meu quarto. Eles vieram me visitar e disseram que o lugar que eles estão morando agora é bonito... Lá é tranqüilo. Eles me chamaram, falaram para eu ir com eles. Eu... eu disse que eu não queria ir ainda, que aqui ainda estava bom e que daqui a pouco eu vou. Minha hora está chegando. Eles sorriram para mim e foram embora.
(...)
A beleza mais verdadeira épura do mundo está nela. A beleza que geralmente encontramos num jardim de infância ou num ‘velhinho’.
Na verdade, essa beleza está em todos nós, mas apenas alguns alcançam um nível espiritual que deixa essa tal beleza florescer, superando a vaidade, a preocupação... a vida adulta. Acho meu vô e a minha bisa as pessoas mais belas do mundo! E os amo de mais.

Uma coreografia de sentimentos

E lá estava ela mais uma vez. Suas mãos suavam, suas pernas tremiam. Os olhares do público estavam todos voltados contra ela, mesmo no escuro. Ela era experiente nisso, mas nem toda experiência do mundo tiraria aquele nervosismo. E ela tenta loucamente se acalmar pra que quando as luzes acendam, de tudo certo, que ela dance linda, leve e confiante. E ela tenta desacelerar sua respiração, lembrar pelo menos o começo de sua coreografia. Tenta incorporar o personagem, então ela coloca um sorriso em seu rosto, e o frio na barriga só aumenta.
E então a luz acende. Ela está lá, no palco, mais linda impossível. Todos olham para ela na esperança de que algo surpreendente está por vir. É agora, a hora de começar a dançar. Não a nada a esperar, e então uma pequena sensação de que vai dar um branco, ela irá se esquecer de alguma parte da coreografia, mas ela não liga muito, pois não há mais tempo para pensar, agora é a hora de agir. E então ela começa a dançar, uma nova expectativa é criada em cada um dos espectadores. Agora nada mais importa. Não existe o mundo aqui fora, nem nada que a impeça de dançar, ela se esquece dos problemas. Sorri mais que nunca, suas bochechas doem, mas nada nesse mundo a fará parar de sorrir, pois ela está feliz e aquele momento pede um sorriso, sem aquele sorriso a coreografia não estaria completa.
E com aquele mesmo sorriso no rosto em que começou, ela termina. Confiante. Então, os aplausos, um reconhecimento de sua dança. Ela também agradece ao público, e sai do palco. Feliz, e ainda sorrindo, por mais uma dança, mais um momento, mais uma emoção. Não é apenas mais uma, é a dança. Pois nenhuma é igual, nenhuma é menos importante que a outra, são todas únicas.
Texto dedicado a todas as bailarinas.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Obrigada,

Obrigada! Obrigada por mais um ano que termina.
Dei o meu máximo em tudo que podia durante esse ano, e tive a recompensa. As vezes, pensava em desistir, jogar tudo para cima. Sentei, chorei, levantei a cabeça, respirei e segui em frente incontáveis vezes. Tive o apoio da minha irmã, família, amigas, Nossa Senhora.
Ano intenso esse! Se fizer uma retrospectiva, esquecerei de muitas coisas, claro. Mas fico feliz por poder dizer que só me arrependo de coisas que fiz, e não de coisas que deixei de fazer. Nessas horas, apenas uma frase vinha a minha cabeça:
“Se errar, errei.  Mas fui porque falhei, não fui boa o bastante, e não porque não tive coragem”
Todo mundo comete erros, a diferença está entre aqueles que assumem e tentam concertar e os que simplesmente ignoram.
Errei, e muito. Magoei pessoas sem querer, pequei, menti, não fiz uma ou outra tarefa... Coisas da vida.
Tive muitos desafios, mas no final, superei todos. Pode parecer um pouco metida falando assim, mas termino esse ano feliz, contemplada e realizada.
Só tenho a agradecer a todas as pessoas que estiveram comigo durante todo o ano, mesmo que tenha durado apenas um segundo, você fez sim, a diferença. E por isso digo agora, obrigada!
Teve uma pessoa em especial que eu me arrependo apenas de não ter a conhecido antes, porque mesmo a distância ela faz a diferença. Ensinou-me a viver sem medo do que os outros vão pensar, a ser eu mesma sempre. A viver intensamente. Se for dançar, que dance com a alma, dance por dançar, e não para receber aplausos- eles são apenas a conseqüência de quem dança assim. Se for amar, ame com todas as suas forças. Se for rir, não se reprima – abra seu melhor sorriso. E, se estiver no ano da sua formatura, bem, nesse caso, essa pessoa me ensinou uma coisa: Se jogue em frente às câmeras! Obrigada.
Um ano termina, e outro se inicia. Esse é o meu momento de pensar. Pensar no que foi feito, e no que farei no próximo ano. É o meu momento de rezar. Pedir perdão e perdoar. De amar, e ser amada. Pedir para que o próximo ano seja tão bom quanto esse. Que tenha tantos desafios quanto esse, porque assim, quando chegar ao fim, estarei tão realizada quanto agora, agradecendo por todas as conquistas.
Mais uma vez, obrigada a tudo e a todos.  Um feliz Natal, e um ótimo Ano Novo! E que venha 2011!!!


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Reflexo

E os dias vão passando...  Hora após hora, dia após dia, semana após semana. E assim a vida nos leva. Para onde? Sinceramente não sei. O tempo simplesmente passa. Tudo muda. Inclusive nós. Paro no meio de uma multidão, me fecho em minha bolha. O silêncio vem a tona e tudo o que vejo é o tempo passando, dando rugas e cabelos brancos a alguns, tirando a juventude de outros, dando vida a terceiros.
Tempo. Coisa mais engraçada essa.
Ah! Se eu pudesse controlá-lo... Fazer tudo passar mais rápido agora, acabar com essa angústia de uma vez. Eu sei que vai passar. Mas o tempo é ingrato e vai fazer passar bem devagar para eu não me esquecer. Como se eu precisasse disso para lembrar o que acontece comigo agora.
Ah! Se eu pudesse controlá-lo... Parar o tempo. Voltar a época das risadas, dos abraços, do carinho, do amor.
Tempo tão ingrato esse que torna momentos ruins tão longos e sacrificantes e os bons, tão curtos! Tempo tão bom esse que ele, e somente ele, é capaz de curar a dor, e que mesmo com sua passagem, torna as boas lembranças inesquecíveis. Tempo esse que torna as crianças em adultos em um piscar de olhos.
Tempo, tempo, tempo. Onde eu te encotro? Onde eu posso fugir de ti?
Tempo que se sente, tempo que se passa, tempo que se vê, tempo que se esquece.
Tempo que agora me dá vontade de pegar o primeiro relógio que vir na minha frente e jogá-lo contra a parede.
Tempo esse que tanto agradeço.
Tempo esse que me confunde quando olho meu reflexo no espelho. Cresci.


We gonna fight

Brigar faz parte. Mostra a liberdade que se tem de mostrar a opinião contrária. Preocupação, carinho, afeto. Mostra o contato, ou o excesso dele.
Briga entre irmãos? Essencial para a formação.
Entre amigos? Essencial para a confiança.
Entre pessoas que se amam? Essencial para o perdão.  

Sonhos

Apaixonei-me por você ou pela pessoa que criei com seu rosto em meus sonhos? Já acordei feliz pelo ‘dia anterior’ e então me lembrei que isso seria impossível se tratando de você.
Sonho acordada, dormindo... Sonho com você.  E quando acordo... Nada. Os sonhos nos enganam. Lá, tudo o que queremos pode se tornar realidade. E então eu criei um personagem perfeito – com seu rosto e assim era feliz sempre que sonhava.
Agora, acordei definitivamente e sei que você nunca teve o meu amor. Isso pertence aos meus sonhos. E lá continuará guardado até achar a pessoa errada.
Porque a certa só existe nos sonhos.

Tão perto e tão longe

Sabe o que aconteceu? Eu simplesmente cansei das conversas de MSN. Tão frias. Tão secas. Tão falsas.
Como saberei se a pessoa do outro lado é 100% verdadeira como eu? Se quando ela digita : ) está realmente sorrindo? Sorrindo para mim? Não sei. Apenas confio.
Mas sinto falta do cara a cara. Do olho no olho. Poder saber a verdade! Ter a pessoa ali, e não dividi-la com mais 20 janelas piscando.
Ver o sorriso, se o cabelo cresceu ou não, ver a pessoa  corando... Senti-la.
MSN, tão perto, tão longe!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Nem Sempre

Ela- desculpa, é que eu me perdi... Você sabe onde fica a Rua Albuquerque?
Ele- Eu..eu não sou daqui! Se soubesse, te ajudaria.
Ela – Obrigada de qualquer jeito.
[No café da manha do hotel]
Ele- Você não é a menina perdida?
Ela – Era... Já achei o hotel.
Ele- Então esse hotel fica na Rua Albuquerque?
Ela- Não, na Rua Albuquerque fica o hospital da pessoa que me diria onde ficar.
Ele- Desculpa, não entendi...
Ela- É, na verdade você entendeu tudo errado. Quando fui conversar com você não estava te cantando! Eu e meu noivo morávamos em São Paulo, e ele trabalhava aqui. Ontem me ligaram do serviço dele pedindo para vir para cá urgente. Meu noivo sofreu um acidente na fábrica e está internado! Eu estou numa cidade que nunca estive antes e quando procuro ajuda você... ( interrompida pelo choro)
Ele- Ei, calma... Desculpa, eu..eu  ( ele disse tentando abraçá-la)
Ela- Me solta! O que você está fazendo?! Não ouviu mesmo nada do que eu acabei de dizer?
Ela foi embora logo após o enterro e os dois nunca mais se viram.
Nem sempre vamos viver aquela historia do amor perfeito. As vezes as coisas dão errado e temos que saber superar cada obstáculo. A cada instante o mundo gira e muda, temos que girar junto, estar pronto para a cada instante nos desapegarmos ao antigo e estarmos pronto para o novo, por mais que seja inseguro, incerto. E é aí que está o mistério da vida: na descoberta!
Nem sempre o que sonhamos acontece, mas quem sabe, o que não aconteceu abre espaço para algo melhor?
Observe uma criança pequena...Ela está descobrindo o mundo! Ela não está nem aí para o que aconteceu a um segundo... Só lhe interessa a próxima brincadeira, a próxima descoberta.
Olhe as pequenas mãozinhas apoiadas na beira do fogão para ver o fogo. O olhar até brilha... A cabeça dando uma volta de 180ºC para acompanhar o avião...Um beijinho roubado na bochecha da colega do jardim de infância...
Pare de programar tudo! Viver da agenda e do seu BlackBarry! Pare de ler livros de autoajuda e romances impossíveis!
Olhe o fogo, acompanhe o avião passando, roube um beijo, um abraço, um sorriso. Sonhar é ótimo, mas não viva disso... se sonhar que seja para dizer depois- que o meu sonho se torne realidade! E lutar por isso. A vida pode parecer longa num dia ruim de trabalho, mas no final ela é curta e se passa em flashbacks na sua cabeça.
Feche os olhos agora e resuma sua vida. Tudo que vem a sua cabeça agora são os bons momentos, a família, os risos, os amigos... Então se no final só nos lembramos das coisas boas (os momento ruins vem a tona também, mas eles são apenas velhas lembranças de momentos que agora, você ri) porque perder tempo com coisas pequenas e insignificantes como um relatório? Uma briga? A busca de um relacionamento perfeito?

Jogue seus braços no ar, respire e viva intensamente sem medo de ser feliz. Sorria, mesmo para os desconhecidos, grite quando tiver vontade, chore, dance, ame,  cozinhe, cante, pule e se liberte!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um caso ao Acaso


As melhores coisas da vida acontecem ao acaso, quando não planejamos e simplesmente vivemos. Ao acaso meu pais se conheceram e se apaixonaram, ao acaso te conheci e me apaixonei. Ao acaso, um dia você se apaixonará por mim.

Devia ter amado mais
 Ter chorado mais
  Ter visto o sol nascer
   Devia ter arriscado mais e até errado mais
    Ter feito o que eu queria fazer
     Queria ter aceitado as pessoas como elas são
      Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
       O acaso vai me proteger
        Enquanto eu andar distraído
         O acaso vai me proteger
          Enquanto eu andar...
           Devia ter complicado menos, trabalhado menos
            Ter visto o sol se pôr
             Devia ter me importado menos com problemas pequenos
              Ter morrido de amor
               Queria ter aceitado a vida como ela é
                A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
                 O acaso vai me proteger
                  Enquanto eu andar distraído?
                    O acaso vai me proteger
                      Enquanto eu andar...
                       Devia ter complicado menos, trabalhado menos
                       Ter visto o sol se pôr.

Por trás das Máscaras

Onde está a nossa identidade? Que parte de nós nos diferencia um do outro? Será o cérebro que pensa, o coração que sente ou a alma que vive?
Se um dia, pudéssemos com o avanço da tecnologia, fazer transplantes de cérebros, de corpos e corações, o corpo que recebesse o novo coração receberia com isso novos sentimentos? Esqueceria de seus antigos?
Imagine uma pessoa pela qual você gosta muito e conhece há um bom tempo também. Fica claro que você sabe os seus gostos, o seu jeito de falar e agir, você conhece a pessoa. Mas se um dia aquele corpo chegasse a seu encontro com hábitos completamente diferentes dos antigos você nunca pensaria que ela é ‘outra pessoa’! Afinal, ela está ali, na sua frente. “Talvez esteja com problemas...” É o que você pensaria. Pensaria porque é você que a reconhece ou não. É você também que a influenciou em vários aspectos: gostos musicais, gírias...
É por isso que eu acho que a identidade de cada um não está concentrada num cérebro, num coração ou numa alma. Sim, sem eles não vivemos, mas eles não criam a nossa máscara de identidade. Quem o faz são as próprias pessoas a nossa volta. São os outros que o fazem.
Cada gesto que fazemos, pode até ser um passo novo, que você supostamente criou, criou a partir de outros gestos já visto por você antes, mesmo que nem se lembre disso. Está no seu inconsciente! Cada palavra que sai de sua boca, já foi dita por alguém antes, ou alguém que te ensinou a juntar as letras. E é esse mesmo alguém que te reconhece na rua, e faz de você quem você é ou finge ser.
A nossa identidade pode estar sim no cérebro, no coração ou na alma. Mas só se for no cérebro do outro, no coração do outro e na alma do outro.
Mas do que nunca concordo que precisamos cada vez mais de NÓS para viver. Então, cuide bem de você – com certeza estará cuidando bem de mim também.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Multi-Mulher?

Eu tenho Barbies. Tenho porque sou uma eterna criança que apesar de ter crescido, amo brincar com elas. Crio histórias, momentos... Imagino-me dentro de cada peça de roupa pink com purpurina acompanhada daquele maravilhoso salto e o guarda – chuva combinando. Não posso esquecer o carro hiper fashion me esperando na garagem. Entro no avião e já sou a aeromoça mais sorridente e aplicada. Num macacão sou a melhor mecânica. Já fui astronauta, princesa, médica, sereia, surfista, tive uma casa com piscina, um sítio... Fui mãe! (da Polly, aliás) Tem ainda a bailarina, a música, a professora, a escritora, a empresária...
Realmente a Barbie é uma mulher incrível pela qual, até hoje tem minha total admiração e respeito. As pessoas falam hoje da ‘multi-mulher’ que cuida da casa, das crianças, do marido, fazem academia e ainda trabalham fora.  Sem querer minimizar ou desvalorizar o trabalho dessas mulheres, admito que acho que nenhuma delas supera a Barbie.
Essa boneca é incomparável, incompatível! Está sempre radiante, na moda, com o cabelo perfeito, um astral contagiante e ainda tem 1 milhão de empregos sendo a melhor em todos!
A Barbie é a Barbie e para sempre eu terei uma( ou várias) guardada para me inspirar nos dias em que eu achar que tenho muita coisa para fazer e o tempo parece voar.

Once apon a time

Have you ever fall in love for someone? Really, if you asked me this same question some time ago, I probably say “Yes, sure!”  .And that is true, I love my family and some friends too – I’m talking about true love, but what about love, the love that we usually see at the movies, at the books, TV…the real love between a men and a women? Have you ever fall in love for someone? Have you ever dreamed that love by wich you could do something  crazy? Maybe even change your life in a beautiful romance?
Well, I have and I’m not ashamed about it.
But is that love really exists? Will be that one day the boy that I like\will like, look in my eyes and ... and say all the beautiful things that all woman dream to hear one day?
 This is not that texts of teenegers in love, I just want to know up to what point there is Romeo and Juliet, because much as these stories are not 100% real, who wrote them must have experienced something similar or maybe seen. I’m afraid that this stories have been written for the creative mind of someone looking for the true love.
Those stories that filled my head now.
 I will not lie that I never felt for someone of the opposite sex, but love is so strong a word ...Once, I thought that I was fall in love, and came to ask me "then this is love?" . Then came the answer "no"
When you love, no doubt, do not you think.
Love knows. Love feels.


GPS

-Fecha o vidro, chegamos a São Paulo. São Paulo. São Paulo. Está sem trânsito e tudo passa muito rápido. São Paulo. As lojas são gigantescas, as vezes são as mesmas daqui, mas não posso compará-las: escalas completamente diferentes. Passa o ônibus. Funcionários que passaram o dia todo quase se perdendo em meio a tantos metros quadrados de loja, agora lutam por um pequeno espaço no coletivo. Irônico, não? São Paulo. Sinal Vermelho. Muros pixados. Concentro-me em ler alguma coisa. Não decifro absolutamente nada. Juro, tentei. Um grupo afro passa cantando. Coisa de São Paulo. Um mendigo dorme, outro mexe no lixo, sinal verde.
“Plim, prepare-se para manter a direita a 300 metros para a Avenida Santos Dumont.”
São Paulo.
(...)
Já podemos abrir o vidro, estamos em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. Prédios e árvores decoradas com luzes natalinas enfeitam as ruas. Alguns passeiam com seus cachorros calmamente. Passam universitários, belas universitárias! São Paulo. Chegamos a Consolação, pertinho da Sabará... E nos perdemos.
“Plim, novo cálculo da rota. Prepare-se para fazer uma curva leve a esquerda e 270metros para a rua ____.
Fecha o vidro de novo. São Paulo. Começa a chover, perde o sinal da rádio e o GPS: “Plim, novo cálculo da rota...”
Ótimo, passo pelo meio de uma feira sendo desmontada. Tensão total onde ninguém arrisca uma só palavra dentro do carro.
(...)
“Plim, você alcançou o seu destino”
São Paulo. São Paulo é isso: é o contraste, a repetição, o novo junto do diferente. Pode ser uma cidade maravilhosa ou horrorosa, tudo dependendo de uma rua. Uma rua apenas! Num bairro, podemos tranquilamente sair para jantar as 19h 30min da noite a pé e voltar as 22h passeando e na via de baixo já não posso andar com a mesma tranqüilidade as 10h 30min da manhã! Porque? Porque estamos em São Paulo capital. E as coisas são assim em São Paulo. São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo

A chuva que pede

Eu gosto de ver a chuva, ouvir seu barulho acompanhado dos trovões... Faz-me sentir bem.  Faz-me sonhar um pouco mais do que o normal. A chuva pede a nossa presença! Nós pede lá, embaixo dela, rodando com os braços abertos e um sorriso largo no rosto. Podemos estar sozinhos ou acompanhados.
Pode ser também uma triste caminhada com casaco de capuz e braços cruzados. Pede nossa presença mesmo que dentro de um carro dirigindo e chorando desesperadamente. Ou no fim de uma grande amizade, com direito a berros e socos na porta.
A chuva pede nossa presença mesmo que nem nos importemos com ela, como num beijo apaixonado que começa no sol, continua na chuva e termina num arco-íris.