Quando somos pequenos, sonhamos em abraçar o mundo, o que na nossa cabeça não é difícil, pensamos que podemos fazer tudo facilmente, como parte essencial e natural de nossa vida. No meu caso em particular, achava que realizar esses sonhos era tão fácil, que prometi a mim mesma nunca reclamar da vida, dos estudos, do trabalho, ou da própria adolescência como via os mais velhos fazendo.
Era tão óbvio crescer sendo uma boa aluna, me formar no inglês, no ballet, no jazz, ter um tempinho de sobra para aprender tocar violão e cantar, ou quem sabe cozinhar. Escrever no blog, ler um livro e claro, ficar com a família e as amigas! Quando chegasse no último ano, daria aquele gás a mais e pronto. No outro ano, lá estaria eu em uma boa faculdade, cheio de ‘extras’ no currículo, o que me levaria à um bom estágio, e depois, eu seria muito bem sucedida numa profissão em que eu pudesse mudar o mundo! Seria plenamente feliz com o meu marido e os meus filhos – um casal de gêmeos, seriam aquelas crianças calmas e sorridentes, que saberiam brincar sozinhos num parquinho.
A gente vai crescendo, a realidade vai chegando... e no começo até vemos os nossos sonhos se encaminhando à nossa vida. Mas aí, parece que eles acham uma curva e mudam completamente a rota. Vão ficando cada vez mais e mais distantes de nós. Cada vez mais difíceis de serem alcançados.
Cai a ficha de que não vou me formar no ballet, não vou nem fazer aula de jazz. Tempo de sobra? Adeus violão e cozinha! Blog apenas em situações extremas de alegria ou desespero. Livro vira obrigação de escola, família vira motorista, e amigas, colegas de sala. Quando se chega ao nono ano ‘descobre’ uma palavra em que você deseja seriamente rancar a dentes e unhas do dicionário. VESTIBULAR. Parece que a partir de agora todos os professores só falam nisso em todas as aulas. Isso te sufuca. Me sufoca, e muito. Bem, conseguindo estar numa boa faculdade, e um trabalho quem sabe, você descobrirá que não será bem recompensada e não vai poder mudar o mundo! Afinal, já e tão difícil convencer um coordenador de Ensino Fudamental II, ou nossos pais de uma opinião, quem dirá mudar o MUNDO??
Quanto ao felizes para sempre com o seu marido plenamente feliz, você descobre que tem que conquistá-lo primeiro, e isso não chega nem perto do fácil, ou até mesmo do difícil. E aprende em ciências que cientificamente dependendo da sua família você nunca terá gêmeos, e é isso.
Existe uma frase que descreve bem a realidade “ É fácil desistir de algo que não se dá muito valor, difícil é lutar por algo que se quer muito.” Ou então “ Desistir de algo que se quer muito e mais difícil que lutar por algo que não é do seu interesse”, não lembro qual é a correta. Só sei que é difícil e triste chegar a conclusão que você não vai poder realizar seus sonhos de criança. Sonhos que mal pareciam sonhos, de tão naturais que lhes parecia.
Acho que esse texto é mais um pedido de desculpa a mim mesma. A mim mesma quando era criança. Pedindo desculpa por quebrar um promessa- isso era o fim, eu dava valor a minha palavra. E prometi que quando tivesse um sonho, eu iria realizá-lo sempre, e que nunca iria reclamar da vida, dos estudos, do trabalho, ou da própria adolescência como via os mais velhos fazendo.
Desculpa, mas a vida é sim difícil, e quando vamos crescendo vamos abrindo mão de alguns sonhos para realizar outros. Mesmo que esses outros sonhos não sejam nossos propriamente ditos. Acho que se eu pudesse voltar no tempo e pedir desculpa pra mim mesma, eu aceitaria, afinal, era incapaz de negar um pedido de perdão – achava que isso, o perdão, também era um dos caminhos para a paz mundial.
Fui uma criança cheia de sonhos... E agora, na adolescência, acho que tudo vai dar errado, que não vou conseguir fazer nada. Mas, essa é uma fase cheia de medos e incertezas mesmo. Quem sabe eu me torne uma adulta sonhadora, e seguindo a ‘profecia’ de Walt Disney, If you can dream it, you can do it – Se você pode sonhar com isso, você pode fazer; eu mude o mundo, e termine todos os meus sonhos! Parecia tão fácil antes, e talvez seja mesmo, é só o medo subindo nas nossas cabeças que nos faz pensar que não podemos, e aí, temos que lembrar de quem somos, olhar fotos de quando éramos menores nos ajudam, então é hora de levantar e começar de novo. Cheia de sonhos. Apenas como uma pequena criança.

Eu acho que vou mudar o mundo...